MEDITAÇÕES COTIDIANAS

28 de agosto de 2009

Sexta Feira da 21ª Semana do Tempo Comum

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Memória litúrgica de Santo Agostinho, bispo.

Liturgia:

Ano Impar: 1Ts 4,1-8
Salmo 96(97)vv.1.2.5.6.10-12 – “Ó justos, alegrai-vos no Senhor”.
Evangelho Mt 25,1-13

A mensagem que liga as duas leituras proclamadas na liturgia de hoje, bem como a que transparece no salmo responsorial, é a da alegria dos discípulos. Aliás, a alegria é um dom do espírito que nos santifica. Por isso costuma-se afirmar: “um santo triste, é um triste santo”. É nesse sentido que Paulo exorta os cristãos de tessalônica a descobrirem qual é à vontade de Deus na vida da comunidade, bem como na vida pessoal, acrescentando que é viver “na santidade” , fugindo a todo excesso de libertinagem e imoralidade com conseqüente prejuízo ao outro que é sempre o meu irmão. Na carta aos coríntios dirá que “nosso corpo é templo e morada de Deus”. Por isso ele não tolera uma sexualidade desordenada em nosso corpo e no corpo do irmão, inclusive, no corpo do cônjuge. Numa sociedade como a nossa que privilegia o uso abusivo do sexo como nas sociedades pagãs, o cristão que vive sua fé em comunidade é chamado a descobrir que o “caminho da comunidade crista” e de cada pessoa “é a santidade”, nossa vocação primeira e universal. Testemunhar a santidade de Deus num mundo que prega a sua morte e o expulsa da vida do nosso povo através dos recursos da técnica e da satisfação imediata, é o grande desafio do discípulo atual. Por isso ele deve recuperar cada vez mais a alegria a fim de saber renunciar aos bens deste mundo, mostrando a sua provisoriedade e pela alegria, testemunhar os valores do Reino.

Aliás, Jesus, no texto evangélico de hoje nos fala do Reino dos céus como reino de alegria, simbolizado pelas dez virgens que portam lâmpadas em suas mãos enquanto aguardam seu noivo para a festa das núpcias. É raro encontrarmos uma noiva triste. Quando isso acontecesse, é sinal de que não estava em condições de celebrar o seu casamento por razões que não vou tecer comentários. Mas, nas noivas, notamos uma profunda alegria muito embora cinco delas fossem imprudente(não levaram óleo) e cinco prudentes. As cinco primeiras parece que agem mais por impulso. Todavia querem celebrar na alegria sua festa de núpcias. Mas as outras cinco, chamadas de prudentes, souberam, apesar do sono, vigiar com alegria responsável. Ao anúncio da chegada do noivo, despertaram alegres e entraram com ele na sala das núpcias. Valeu a espera. O sono não lhes tirou a consciência do objeto que procuravam. Não foram vencidas pelo cansaço ou pela demora. Foram maduras, responsáveis. A vigilância vivida por elas foi assumida de forma alegre. Por isso, somente elas, souberam reconhecer na voz que foi ouvida no meio da noite, a voz do próprio amado que procuravam. Procuram e encontram e grande foi a festa. É assim que Jesus descreve o reino dos céus. É um reino de alegria que se constrói a partir de cada decisão responsável que tomamos.

Santo Agostinho tendo percorrido um caminho de muitas buscas para encontrar a verdade, o amor, finalmente descobriu que não estava fora, mas dentro, no seu próprio coração e alegrou-se quando foi rompida a surdez do seu próprio coração e assim ele pôde reconhecer a presença da eterna beleza de Deus que está sempre a reconstruir o homem ao perder sua semelhança com o criador após o pecado. Por isso a alegria é uma característica marcante na vida dos santos que em Cristo, o novo homem, revêem seu próprio rosto curado do pecado e do mal.

20 de agosto de 2009

São Bernardo de Claraval, monge, abade Cisterciense e Doutor da Igreja

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A nossa Ordem Cisterciense celebra hoje 20 de agosto a Solenidade de São Bernardo de Claraval ao qual chama de pai depois de São Roberto, Alberico e Estevão. Nasceu no ano 1090 perto de Dijon (França) entrando 20 anos mais tarde no recém fundado mosteiro de Cister (1098), onde foi acolhido com toda solicitude e caridade própria da regra de São Bento. Bernardo foi um homem cheio da caridade de Deus ou como diz a oração da coleta, “inflamado de zelo por vossa casa”, um homem inflamado de zelo pela Igreja, chega ao novo mosteiro de Citeaux acompanhado por trinta jovens entusiasmados como ele pelo ideal do novo mosteiro onde seus monges queriam viver a originalidade da regra beneditina. Pouco tempo depois, foi enviado como abade do mosteiro de Claraval, a primeira fundação feita pelo mosteiro de Cister. Foi deste mosteiro que São Bernardo enviou o monge Randulfo para a fundação de Himmerod na Alemanha que por sua vez, enviou monges ao Brasil no ano de 1936, ano da fundação do nosso mosteiro de Itaporanga – SP. Em sua homilia na missa conventual, dom abade Luis Alberto falou da importância de são Bernardo para a Igreja e a ordem – “Sem nosso Pai São Bernardo, a ordem cisterciense não teria alcançado o crescimento e a repercussão que teve na Europa e no mundo. Sem São Bernardo não existiria Himmerd. Sem São Bernardo não existiria, inclusive, Itaporanga”. E eu acrescento ainda: Sem São Bernardo, esta paróquia Bom Jesus de Riversul não teria bebido na fonte da mística e espiritualidade cisterciense. Sem são Bernardo, esta paróquia não teria recebido a herança espiritual, religiosa e cultural no campo da musica sacra pelas monjas cistercienses que aqui em Riversul iniciaram a fundação de seu mosteiro, vivendo aqui entre os anos 1951 a 1964 quando então se transferiram para a cidade de Itararé. Desta paróquia podemos dizer: ela é cisterciense na vida, na arquitetura, com sua Igreja reformada bem ao estilo sóbrio da tradição cisterciense.
Para ajudar a interiorizar um pouco mais da sabedoria deste Santo, passo a citar agora um trecho da sua obra Sermão sobre o cântico dos cânticos. “O amor basta-se a si mesmo, em si e por si, encontra satisfação. É seu mérito, seu próprio prêmio. Alem de si mesmo, o amor não exige motivo nem fruto. Seu fruto é o próprio ato de amar. Amo porque amo, amo para amar. Grande coisa é o amor, contanto que vá a seu princípio, volte a sua origem, mergulhe em sua fonte, sempre beba de onde corre sem cessar. De todos os movimentos da alma, sentidos e afeiçoeis, o amor é o único com que pode a criatura, embora não condignamente, responder ao criador e, por sua vez, dar-lhe outro tanto. Pois quando Deus ama não quer outra coisa senão ser amado, já que ama para ser amado; porque bem sabe que serão felizes pelo amor aqueles que o amarem” (Liturgia das horas, p. 1209, v. IV).

Leituras, orações e prefácio da missa de São Bernardo

Ant. entrada
“No Meio da Igreja o Senhor colocou a palavra nos seus lábios: deu-lhe espírito de sabedoria e inteligência e revestiu-o de glória” Sir 15,5
Coleta: Fazei-nos, ó Deus, viver com perfeição a vida monástica; e para obtermos as riquezas da vossa graça, interceda sempre por nós, por seus méritos e preces, São Bernardo, abade doutor da Igreja. PNSJ.

1ª leitura
Sab. 7,7-10.15-16 ou Sir 39,8-14
Salmo 62

2ª leitura Filipenses 3,17-4,1
Aclamação ao Evangelho – Aleluia 3X – Mt 5,16 ou Jo 15,9

Evangelho Matheus 5,13-19 ou Jo 17,20-26

Oblatas: Nós vos apresentamos, Deus todo poderoso, o sacramento da unidade e da paz, neste dia em que festejamos o abade São Bernardo que, por palavras e ações, procurou incansavelmente a concórdia da Igreja. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

Prefácio
O Senhor esteja convosco…
Corações ao alto…
Demos graças ao Senhor nosso Deus…

Na verdade, ó Pai, Deus eterno e todo-poderoso, é nosso dever dar-vos graças, é nossa salvação dar-vos glória, em todo tempo e lugar, por Cristo, Senhor nosso. Vós nos alegrais com a festa de São Bernardo que, cheio do dom da sabedoria, e ardente espírito de caridade e oração, sempre, pela vossa graça, se uniu ao vosso Verbo. Ilustre pela santidade e vida monástica, admirável no louvor a Virgem Mãe de Deus, irradiou por toda a parte a luz da fé e da doutrina e promoveu na vossa Igreja a concórdia, a unidade e a paz. Por isso agora e pelos séculos, com toda a multidão dos anjos, vos celebramos com fervor, cantando (dizendo) a uma só vós.

Ant. comunhão
O Senhor deu-me em recompensa uma língua e com ela o glorificarei (Sir 51,30).

Depois da comunhão

Ó Deus, que esta comunhão na festa de são Bernardo produza em nós os seus frutos para que, encorajados pelos seus exemplos e guiados por seus conselhos, sejamos arrebatados pelo amor do Verbo que se fez carne. Por Cristo nosso Senhor. Amém.

Pe. Basílio J. Ilton Alves, O. Cist.

27 de junho de 2009

26 de junho

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“Eu quero, fica limpo”

Jesus, o novo Moisés, ao entregar a nova lei do amor no alto do monte, desce e “numerosas multidões o seguiam” (v.1). no alto revelou-se o mestre divino, na planície revela-se o Salvador e Redentor do homem ferido pela enfermidade que o angustia, levando-o a reconhecer nele o poder de purificação. Lepra e conseqüente purificação nos levam a perceber que essa é uma conseqüência do homem que se afastou de Deus e preferiu confiar no seu amor próprio. Aliás, é próprio da nossa cultura que cada um confie em si, seus bens etc. O homem atual, como o primeiro que se afastou de seu criador quando ainda estava no paraíso, continua se afastando da fonte da vida. Prefere mergulhar não mais em águas profundas da fonte do amor, mas na lama das suas satisfações que trazem consigo a morte.
Mas hoje nós podemos reconhecer que a Palavra de Jesus é boa notícia que nos devolve a vida plena que brota da fonte da água batismal. “Sua Palavra é Evangelho”, um rio de água viva. “O leproso curado é sinal da vida nova do Filho vencedor da morte”. Ele, é “o Filho perfeito, é a Palavra que salva os irmãos”. Portanto, “a cura do leproso aponta para a água batismal”, onde nós fomos mergulhados (morte) e dela emergimos trazendo a vida nova que ressurge da Páscoa do Senhor. A água com a qual o homem ferido pela lepra do pecado será purificado é água batismal. Essa água “aponta para a ressurreição”.

25 de junho de 2009

Construir sobre o amor

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Jesus continua formando os discípulos na escola do amor. Sua escola é aberta a todas as idades, não há limites de vagas, nem critérios de seleção. Não tem muros e a única porta é o Mestre por onde entram os alunos (João 10 – Jesus pastor e porta). Por isso se trata de uma escola construída sobre um monte (no A. T. Deus e no NT o monte é Cristo). A lição de hoje é muito profunda e é preciso descobrir o seu sentido por meio da comparação casa construída sobre a rocha e casa construída sobre a areia. Diante do seu ensino, “as multidões ficaram admiradas com seu ensinamento” que não é uma interpretação da lei nem se apóia sobre a reflexão oficial dos rabinos. É um ensinamento transmitido com autoridade, a autoridade de Deus.
Vivemos num mundo que procura a todo custo construir seu futuro sobre falsas convicções como a mentira e o engano. É sobre esse risco, que o mestre divino quer orientar os seus discípulos com o firme propósito de formá-los na escola do amor, onde o engano e a mentira não encontram acolhida pois, “diante de Deus só se constrói sobre a verdade. A verdade é ele em sua vontade feita cada dia”. “Fazer sua vontade é o verdadeiro ‘teste’ para avaliar sabedoria ou estultícia verdadeiras, acima das aparências” (Missal cotidiano. P. 948). Mesmo que alguém tenha entrado nessa escola e dela saiu sem viver o que aprendeu, mesmo que tenha dons carismáticos, mas se não foi obediente à lição dada pelo mestre, não será por ele reconhecido como seu discípulo.
Vivemos no mundo das espertezas. Os espertos parecem estar com o futuro garantido. Essa é a lógica do reino do mundo. A lógica do reino do amor é bem diferente. É verdade que Deus poderá servir-se das nossas misérias para fazer triunfar sobre nós o seu amor. A leitura do gênesis da liturgia de hoje nos mostra isso. Sarai, esposa de Abrão, cansada de esperar pela realização da promessa, com o consentimento do seu marido, acaba criando um caminho alternativo para não caírem na frustração de uma promessa não cumprida da parte de Deus. Embora a atitude assumida com o consentimento de Abrão estivesse de acordo com as leis da babilônia, não será assim que Deus cumprirá a sua promessa. Aceita o filho de Agar e lhe promete um futuro (Deus é sempre a favor da vida), porém, o cumprimento da promessa só se realizará em Isaac, o filho da aliança. Se no gênesis mais uma vez o homem e a mulher quererem construir sobre o seu amor próprio, Deus, que é amor, nos ensina a construir somente sobre a rocha do amor que se abre à vida na mais pura e perfeita obediência a Palavra divina. Essa obediência nos ensina como percorrer pela estrada da esperança. Aqui vale a pena citar um texto de Paulo aos Colossenses: “Permanecei inabaláveis e firmes na fé, sem vos afastardes da esperança que vos dá o Evangelho, que ouvistes, que foi anunciado toda criatura debaixo do céu” (Cl 1,23).

24 de junho de 2009

João Batista, o maior entre os nascidos de mulher

Arquivado em: Sem categoria — Paróquia Bom Jesus @ 21:32

Celebramos hoje na liturgia a solenidade de São João Batista o precursor do Senhor. Sobre o sentido dessa festa testemunha Santo Agostinho “Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o e Cristo” e continua, “João apareceu como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o antigo e o novo”, “representa o antigo e anuncia o novo, porque representa o Antigo Testamento, nasce de pais idosos; porque anuncia o Novo Testamento, é declarado profeta ainda estando nas entranhas de sua mãe”.
A liturgia da missa da vigília pede a Deus a família humana, “atenta as exortações de São João Batista, chegue ao Redentor que ele anunciou” (Coleta da missa), ao mesmo tempo em que nos apresenta como autêntico profético, chamado para esse missão desde o ventre materno, a exemplo de Jeremias e Isaías. Em sua vida de asceta e pregador encontra-se os elementos de sua vocação: Chamado divino, resposta ao chamado, apresentação da missão, consagração do profeta e seu envio missionário como luz entre os povos.
Apesar da fragilidade presente em todos os profetas, encontramos também nele uma total disponibilidade no cumprimento da sua missão, a de “preparar um povo bem disposto para o Senhor”. A mensagem que anuncia não é sua. Sua é apenas a voz. “João é a voz; o Senhor, porém, no principio era a Palavra(Jo 1,1). João é a voz no tempo; Cristo é desde o principio a Palavra eterna”. A mensagem que anuncia é de Deus. “O menino que nasceu é mais do que um profeta; falou dele o Salvador: Entre aqueles que nasceram de mulher não surgiu ninguém maior que João Batista” (Antífona da 2ª Vésperas).

16 de junho de 2009

Onde o amor e a caridade, Deus aí está

Arquivado em: Sem categoria — Paróquia Bom Jesus @ 17:36

O tema central da liturgia de hoje é a caridade que acolhe a todos no amor de Cristo.
Como novo Moisés Jesus continuar a ensinar e o ensinamento parece chegar agora ao ponto mais alto, o do amor aos inimigos. Esse amor é a única força capaz de deter a espiral da violência. O amor não é espontâneo em nós. Por isso Jesus o entrega como um mandamento novo porque ele ama de um jeito novo. Espontâneo é o egoísmo que muitas vezes se confunde com amor.
Por isso o santo padre o Papa Bento XVI na sua primeira encíclica “Deus caritas est”, no numero nos lembra que Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis, constituem um único mandamento. Mas, ambos vivem do amor preveniente com que Deus nos amou primeiro. Deste modo, já não se trata de um « mandamento » que do exterior nos impõe o impossível, mas de uma experiência do amor proporcionada do interior, um amor que, por sua natureza, deve ser ulteriormente comunicado aos outros. O amor cresce através do amor. O amor é « divino », porque vem de Deus e nos une a Deus, e, através deste processo unificador, transforma-nos em um Nós, que supera as nossas divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja « tudo em todos » (1 Cor 15, 28).
E nos lembra que na Igreja todo serviço ao próximo é manifestação do amor (cf. n. 19).
A leitura da 2ª carta de Paulo aos coríntios reforça o tema do amor de forma concreta na vida da comunidade cristã. Uma comunidade rica em dons carismáticos é chamada a imitar a generosidade das Igrejas da Macedônia que realizaram uma coleta em favor dos cristãos de Jerusalém. Modelo de toda doação é sempre o Senhor, que “de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós, para que vos torneis ricos por sua pobreza”.
Vivemos numa sociedade onde cresce o egoísmo. Somente o amor é a única força capaz de combater a espiral da violência e do egoísmo. O Santo padre o papa Bento XVI na já citada encíclica convida a Igreja desse nosso tempo, a ser uma Igreja Samaritana, isto é, uma Igreja servidora que por amor de Deus e de Cristo ama a todos os homens e mulheres e lhes assiste em suas necessidades de dor. Na última quinta feira , enquanto celebrávamos a Missa de Corpus Christi na praça São Pedro, como nos foi pedido em nosso conselho presbiteral, fiz um amplo apelo em favor das vítimas das enchentes no norte e nordeste do país para uma coleta solidária. Não esperava tivesse o meu apelo à resposta concreta que teve. Nunca tivemos uma coleta em nossa paróquia com um valor tão significativo como a que foi realizada naquela eucaristia, levando em conta a pobreza do nosso povo. Mas passo a testemunhar que nosso povo está ficando mais eucarístico. Está aprendendo a comungar na vida do irmão a partir da eucaristia. A caridade deverá ser o sinal concreto da nossa fé no Senhor ressuscitado presente na eucaristia. Enquanto a eucaristia for celebrada e partilhada, a dor , fome, frio, sede, nudez, serão assumidos pela comunidade cristã como expressão da caridade do seu senhor. E para concluir, cito novamente a já citada encíclica: “é amor o serviço que a Igreja exerce para acorrer constantemente aos sofrimentos e às necessidades, mesmo materiais, dos homens”.

10 de junho de 2009

“O Amor é a Plenitude da lei”

Arquivado em: Sem categoria — Paróquia Bom Jesus @ 22:45

Jesus continua a ensinar as multidões que o escutam. É o novo Moisés que ensina e entrega a nova lei. Ao contrário da primeira lei, gravada em pedra (1ª leitura), a nova é gravada no coração pelo Espírito que nos foi dado no batismo e na confirmação. Por isso ela comunica vida. Jesus não se opõe à lei nem aos profetas. Ele é o cumprimento de toda a lei. Tudo o que os profetas predisseram se realiza nele. Ele é a máxima expressão do ser de Deus, é o amor que assumiu forma humana para redimir o homem e a mulher massacrados pela lei do desamor. Ele leva a lei à perfeição, porque vive a lei do amor que o leva a cruz onde, consome sua vida como uma perfeita oblação ao Pai pela vida do mundo. A lei acusa, pune, castiga. Sua função era conduzir a Deus, mas sem Jesus não conseguiu atingir esse objetivo. “Com Jesus uma coisa fica claro. Atrás da lei, que proíbe tudo o que tem cheiro da morte, está o Senhor, que dá a vida e ressuscita dos mortos. Atrás da palavra, que condena a transgressão, está o Pai misericordioso que perdoa o transgressor. Jesus não é o fim da lei mas a finalidade da lei e dos profetas. Não é a abolição da lei, mas seu cumprimento. Ele vive a palavra dada a Moisés e sempre de novo recordada e atualizada pelos profetas. Ele faz a vontade do Pai, que é seu alimento” (revista o Pão nosso de cada dia. Junho de 2009, p.32)

Leituras: 2Cor 3,4-11
Salmo 98
Mateus 5,17-19

Fidelidade de Deus, fidelidade de Jesus.

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09 de junho 2009

Fidelidade de Deus, fidelidade de Jesus.

Hoje celebramos a memória litúrgica do Bem-aventurado José de Anchieta, apóstolo do Brasil. Dele se pode dizer que foi sal e luz entre os nativos que aqui encontrou. Iluminou os corações dos irmãos e irmãs da nova terra com a luz do amor. Deu sabor novo à cultura e a alma dos primeiros habitantes da nossa pátria. Foi realmente um irmão que não mediu esforços em promover uma cultura humana e cristã, seja como missionário, seja como educador, elaborando até uma gramática na língua tupi-portugues.

No texto do evangelho vemos como Jesus dirige-se as multidões. Ele é o novo Moisés. O povo que o escuta é vítima de uma sociedade injusta. É um povo descartado. Jesus os acolhe e os convida a iniciar um processo novo. “Vós sós o sal da terra”. O sal é elemento necessário à conservação dos alimentos que garantem a vida biológica. Sua função: dá sabor, conservar. Essa será a missão dos discípulos: dar sabor à vida insossa apoiada em velhas estruturas. É usado no batismo para significar esse sabor novo que devemos colocar na vida e no mundo. “Vós sois a luz do mundo”. A luz ao lado do fogo é um dos quatro elementos primários. Esta associada às manifestações teofânicas de Deus (revelações). A luz aquece, ilumina. Com ela tudo pode ser visto, até mesmo uma cidade, a partir do espaço. À noite costumamos ver clarões de luz que indicam onde ficam determinadas cidades. A sua luz refletem no céu da noite. Assim, os cristãos devem iluminar o mundo com a luz do amor.

No evangelho encontramos uma clara manifestação da fidelidade de Deus para conosco. Ele nos acolhe. Confia em nós. Quer continuar transformando mas tendo ao seu lado cada pessoa como parceira (a) na sua obra transformadora.

Leituras
2 Coríntios 1,18-22
Salmo 118
Mateus 5,13-16

26 de maio de 2009

Não tenhais medo, Eu venci o mundob

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Segunda feira 25 de maio 09

Liturgia: Atos 19,1-8
Salmo 67 (68)2.3.4.5ac.6.7ab – “Reinos da terra, cantai ao Senhor”
João 16,29-33
Celebramos ontem a festa da ascensão de Jesus ao céu. O Senhor percorreu um caminho de amor para encontrar o homem que havia decaído da sua condição original. Sua volta ao Pai se dá pelo mesmo caminho, o do amor.
Hoje escutamos no Evangelho a reação dos discípulos diante de tudo o que Jesus havia falado. Agora eles acreditam nele. Não há mais nenhuma dúvida. Mas o que eles não sabiam é que o mestre conhecia a fragilidade de cada um na hora da sua glorificação na cruz – “Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só” (v.32). Abandonado por eles, exceto João, Jesus testemunha a sua fé e confiança no Pai – “Mas eu não estou só porque o Pai está comigo”.
Como se vê, a fé não é certeza humana. Não está isenta de dúvidas. Fé é crer contra toda humana esperança em coisas que não se vêem (Hb 11,1). A hora da prova é o momento do testemunho dos que crêem. Ninguém, por maior que seja seu sofrimento, deve se sentir só. É verdade que somos tentados a negar a presença de Deus no sofrimento. Mas, contemplado o Cristo crucificado e glorificado, chegamos à certeza de que Deus está conosco e nos mostrou sua proximidade no Emanuel que assumiu nossa humilde condição e carregou em seus ombros nossas enfermidades. Nunca estaremos livre do sofrimento e da cruz. A cruz é testemunha perene do amor de Deus. Nela o amor revela seu triunfo. Para nós são confortadoras as palavras de Jesus no final do texto evangélico de hoje: “No mundo tereis tribulações. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!”.
Somente um coração que responde ao amor, amando, faz o discípulo atravessar montanhas com um único desejo: anunciar Cristo, o Evangelho do Pai. Papel importante nesse trabalho, tem a pessoa do Espírito Santo. É ele quem consagra e envia. É ele quem calça os pés do mensageiro com a coragem profética.

19 de maio de 2009

Comentário ao salmo 137 (138)

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1. Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos e ante o vosso templo vou prostrar-me.
2. Eu agradeço vosso amor vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes; naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma.
3. Estendereis o vosso braço em meu auxílio e havereis de me salvar com vossa destra. Completai em mim a obra inacabada; ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos!
Este é um salmo de ação de graças individual. Esta espécie de salmos, constitui um agradecimento ao Senhor, as vezes já reconhecendo o beneficio recebido.
O agradecimento sai do coração e se expressa nas palavras,no canto, no acompanhamento dos instrumentos e nos gestos corporais.Isto acontece no templo, lugar da presença do Senhor. Acontece em cada eucaristia onde experimentamos a universalidade do amor de Deus.
Do centro da Igreja, do espaço do presbitério, Cristo abre seus braços em nosso auxilio. Esse seu gesto nos enche de esperança em relação ao futuro – “Toda minha vida é obra de Deus, ele a começou, que ele a conclua”. Este salmo nos transporta para nossa “eucaristia”. Em cada celebração agradecemos a Deus pelo seu amor que nos doou seu Filho que quis que a eucaristia fosse sacramento do seu amor. Nela agradecemos e também recebemos toda graça.

Fonte: Salmos, oração do povo de Deus, ed. Paulinas 1982

Pe. Basílio, O. Cist.
Pe. Basílio José Ilton Alves, O. Cist.
Monge da Abadia N. Sra da Santa Cruz de Itaporanga- SP – Pároco da Paróquia Bom Jesus de Riversul – Diocese de Itapeva – SP – Brasil.

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