Memória litúrgica de Santo Agostinho, bispo.
Liturgia:
Ano Impar: 1Ts 4,1-8
Salmo 96(97)vv.1.2.5.6.10-12 – “Ó justos, alegrai-vos no Senhor”.
Evangelho Mt 25,1-13
A mensagem que liga as duas leituras proclamadas na liturgia de hoje, bem como a que transparece no salmo responsorial, é a da alegria dos discípulos. Aliás, a alegria é um dom do espírito que nos santifica. Por isso costuma-se afirmar: “um santo triste, é um triste santo”. É nesse sentido que Paulo exorta os cristãos de tessalônica a descobrirem qual é à vontade de Deus na vida da comunidade, bem como na vida pessoal, acrescentando que é viver “na santidade” , fugindo a todo excesso de libertinagem e imoralidade com conseqüente prejuízo ao outro que é sempre o meu irmão. Na carta aos coríntios dirá que “nosso corpo é templo e morada de Deus”. Por isso ele não tolera uma sexualidade desordenada em nosso corpo e no corpo do irmão, inclusive, no corpo do cônjuge. Numa sociedade como a nossa que privilegia o uso abusivo do sexo como nas sociedades pagãs, o cristão que vive sua fé em comunidade é chamado a descobrir que o “caminho da comunidade crista” e de cada pessoa “é a santidade”, nossa vocação primeira e universal. Testemunhar a santidade de Deus num mundo que prega a sua morte e o expulsa da vida do nosso povo através dos recursos da técnica e da satisfação imediata, é o grande desafio do discípulo atual. Por isso ele deve recuperar cada vez mais a alegria a fim de saber renunciar aos bens deste mundo, mostrando a sua provisoriedade e pela alegria, testemunhar os valores do Reino.
Aliás, Jesus, no texto evangélico de hoje nos fala do Reino dos céus como reino de alegria, simbolizado pelas dez virgens que portam lâmpadas em suas mãos enquanto aguardam seu noivo para a festa das núpcias. É raro encontrarmos uma noiva triste. Quando isso acontecesse, é sinal de que não estava em condições de celebrar o seu casamento por razões que não vou tecer comentários. Mas, nas noivas, notamos uma profunda alegria muito embora cinco delas fossem imprudente(não levaram óleo) e cinco prudentes. As cinco primeiras parece que agem mais por impulso. Todavia querem celebrar na alegria sua festa de núpcias. Mas as outras cinco, chamadas de prudentes, souberam, apesar do sono, vigiar com alegria responsável. Ao anúncio da chegada do noivo, despertaram alegres e entraram com ele na sala das núpcias. Valeu a espera. O sono não lhes tirou a consciência do objeto que procuravam. Não foram vencidas pelo cansaço ou pela demora. Foram maduras, responsáveis. A vigilância vivida por elas foi assumida de forma alegre. Por isso, somente elas, souberam reconhecer na voz que foi ouvida no meio da noite, a voz do próprio amado que procuravam. Procuram e encontram e grande foi a festa. É assim que Jesus descreve o reino dos céus. É um reino de alegria que se constrói a partir de cada decisão responsável que tomamos.
Santo Agostinho tendo percorrido um caminho de muitas buscas para encontrar a verdade, o amor, finalmente descobriu que não estava fora, mas dentro, no seu próprio coração e alegrou-se quando foi rompida a surdez do seu próprio coração e assim ele pôde reconhecer a presença da eterna beleza de Deus que está sempre a reconstruir o homem ao perder sua semelhança com o criador após o pecado. Por isso a alegria é uma característica marcante na vida dos santos que em Cristo, o novo homem, revêem seu próprio rosto curado do pecado e do mal.